FILMES DA II GUERRA

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

QUASE QUATRO

Quase quatro anos se passaram
quando ela se virou para mim e confirmou:
estava tudo terminado, sim.
Ao meu lado estava,
porque era interessante para aprender,
— não mais por mim.

Porque jamais eu me desvencilharia
das correntes que me prendem
— ela disse.
E porque se elas ainda assim arrebentassem,
então não quereria sentir-se culpada.

E perguntada se me amava,
instada a se manifestar
e posta contra a parede,
olhou-me nos olhos com alegria,
olhos brilhantes,
e simplesmente se negou a responder,
falando, apenas, que outrora já havia respondido
à mesma questão.

Mas faz tempo, muito tempo.

Assim, não se confirmou,
não houve confirmação.
Reservou-me, apenas, o ambiente insalubre
para dialogar.
Nem a confidência do domingo
fora capaz de responder.

Nada tiro desta pedra.

Meu coração agora chora.
Soluça e sangra, partido e murcho.
Dos olhos, secos, porém não sai nada.
A testa franze, o corpo se inclina, o cansaço vem.
Vem um sono pesado,
suficiente para me desconcentrar de tudo.

E pego meus pertences e parto.
Parto sem destino,
desequilibrado e manco.
Amarrotado e derrotado.
À espera de nova lição
não assimilável.

Jorge Quadros 
(São Paulo, 02.09.2015)

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