FILMES DA II GUERRA

quarta-feira, 8 de junho de 2011

MEDUSA

O mito de Perseu matando a Medusa tem inspirado artistas ao longo de dois milênios.
Quem é Perseu e quem foi Medusa?

Na sequência as mais belas obras sobre o tema.

Antonio Canova (1757-1822), Museu do Vaticano, Roma

Benvenuto Cellini (1500 – 1571), Galleria degli Uffizi, Firenze


Laurent-Honoré Marqueste (1848 - 1920), Ny Carlsberg Glyptotek Sculpture Museum, Copenhagen

Hubert Gerhard (born ca. 1540-1550, died before 1621),Victoria and Albert Museum, London 
Cesare Aureli (1843 - 1923), Palazzo Comunale, Modena
Feodosy Fedorovich Shchedrin (1751 - 1825), Grand Cascade of Peterhof, St. Petersburg
Salvador Dalí (1904 – 1989), Alameda Park, Marbella

Frederick William Pomeroy (1856–1924), National Museum of Wales, Cardiff


















 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CONFISSÃO

A força do vento faz as janelas baterem nesta tarde de maio,
com o sol tentando entrar timidamente
no meu quarto.

Mas eu não sei como estará o tempo
quando amar não for mais possível.
E mesmo que venham a me dizer,
eu não darei nenhuma importância,
pois quem enxerga angústia
não vê nada mais.

Devo, assim, olhar o sol e a chuva
enquanto não me torno cego.

Cego, ego, cego, ego.
Por trás de meu ego,
começa um desconsolo,
uma calmaria branda e esparsa,
mas sinistra (e muito).

O dia em que acontecer...

Neste dia eu estarei perdido,
sem nenhum ombro amigo.
Estarei desorientado, solitário.
"Eu tenho medo da solidão".
E nada mais terá sentido.
(pois se não houver achado felicidade no amor,
onde mais poderei encontrar?)

Eu terei perdido a razão, a emoção.
Serei visto como uma pedra
e não terei força alguma para resistir.

Por que existem tragédias?
Por que as coisas boas
(tão difíceis de criar)
desmoronam?

Eu confesso, eu confesso!
(que diminuam minha pena)

— Toda minha vida foi a procura do amor.
E se isso é condenável hoje,
pois  bem, que me condenem.
Mas me condenem, sabendo que condenarão um fraco
— um apaixonado.

Antes não tivesse existido,
não houvesse nascido
para não ter que morrer do mesmo jeito que nasci
— asfixiado no cordão de minha própria sorte.

A vida não é mais nada,
nada mais que um solitário andante ser-humano
que nunca chega a lugar nenhum
e nunca sai do seu deserto imenso
que é a solidão.

"Eu tenho medo da solidão".
"Eu tenho medo da solidão".
"Eu tenho medo da solidão".

(Tu és a minha amada)
"Eu tenho medo da solidão".
(Tu és a minha am...)
"Tenho medo da solidão".
(Tu é a...)
"Tenho medo da solidão".
(Tu...)
"Medo da solidão".
(...)
"Da solidão".
"Solidão...dão, dão".

Jorge Quadros
(São Paulo, 14.05.1987)

domingo, 8 de maio de 2011

COTIDIANO

uma cama dessarrumada:
lençóis e cobertores amassados
travesseiro jogado no chão.

e uma janela que se abre para o espaço
depois de um bocejo mudo e profundo
de alguém que pouco dormiu

imediatamente o mundo o acorda
e ele percebe que dormiu demais
e que agora terá de correr para o trabalho

correr
correr para o trabalho

e depois deste
também correr
correr para casa

e enquanto isso o planeta gira
em torno de si mesmo e
gira ao redor do sol
o universo expande
e um cometa se movimenta em círculos

e tudo corre por toda parte:
corre o ponteiro do relógio
corre o desgaste da derme
corre nalgum lugar um córrego
corre o ego
corre um corredor
corre a dor
corre até o sangue na veia
e a seiva no caule

tudo anda muito rápido
e quem não quer andar assim
acaba sendo empurrado
senão atropelado e pisoteado

e se descobre, então, que não mais
se pode olhar para os lados

— que absurdo!

Jorge Quadros
(07.10.1987)

sábado, 7 de maio de 2011

SEM GRAÇA

Conta-me piadas das quais nunca rio,
e insiste teimosamente,
não levando em conta meu desinteresse.
Tenta satisfazer-me assim mesmo,
ignorando-me após as anedotas,
dando as costas e indo-se embora.

No dia seguinte, a mesma coisa.

No outro, também.

Enfim, é sempre assim.

Mas um dia perco a paciência
e digo-lhe que sua brincadeira é sem graça.

Ele para de rir pra si mesmo,
olha-me com raiva
e me chama de desgraçado.

E sem graça, desvio o olhar,
enquanto ele se retira.

Nunca mais nos vimos.

Jorge Quadros
(São Paulo, 15.10.1990)

CEM RAZÃO

ATENÇÃO!
A TENSÃO
ATEN SÃO
AH! TES ÃO!

                 TEN SA ÇÃO
                 SEN TA SÃO
                 SEN TA CÃO
                 SEN SA ÇÃO

                              "QUE TES ÃO
                               ELES SÃO"

                  BEM MAL SÃO
                  AS CEN SÃO
                  MAL DI ÇÃO
                  AS SIM SÃO:

                              "AiDs Culpa"
                                Uc frio!"

PARALELEPÍPEDO,
PIPI DO PARALELO,
NO PICA-PAU AMARELO
TÁ O PIRANDELLO,
DELLOS PIRADO,
RÁPIDO, SOLDE!

                               — Refugiem-se na Acrópole!
                               — Banhem-se,
                               — Enlameiem-se,
                               — Danem-se!

Jorge Quadros
(São Paulo, 28.05.1985)

SONETO DE MARIA

Às vezes, quando alto demais está o mar
Muitas ondas se quebram em algum rochedo.
Todo ser arrebenta-se em falso penedo
No instante em que descobre o quão duro é amar.

Assim, flutua-se em infausto oceano
O ser inconformado com o seu destino,
À espera de um inevetável desatino
Que sempre aparece com o passar dos anos.

Refiro-me, acima, à história de Maria,
Menina Maria, como era conhecida,
Que gostava de pular corda e muito ria.

Mas, quando, de um abismo, alguém a viu caída,
Foi porque um dia no amor se sentiu traída
E decidiu-se por findar com a sua vida.

Jorge Quadros
(São Paulo, 01.08.1987)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

TABATINGA

Como entender este moloque?
Dezoito anos, cabelo curto, encaracolado,
pele queimada, brozeada.
Como endenter quem nunca assumiu responsabilidade na vida,
não sabe o que é problema, nem tristeza tristeza?
Pessoa que não se abre, já aberta aos amigos.
Que desconhece inimigos, só amizade,
e contribuiu para a felicidade de todos?
Como poderia falar deste amigo,
que se preocupa o dia todo
com diversão, bagunça e algazarra?
Cidadão que vive em meio a muitos,
que a muitos diverte e por muitos é amado,
lembrado sempre de maneira alegre.

Pois é. Quando escutam-lhe o nome,
riem. Lembram-se-lhe dos feitos
e soltam gargalhadas.

Poder-se -ía dizer que esta pessoa
é uma eterna criança, imatura,
despreocupada com a vida,
sem responsabilidade?

Alguém, feliz
e amigo de quem quiser,
que tem tudo o que deseja
— por que se preocupar com o que não tem,
em vista do que sempre teve?

Talvez assim poderíamos entender aquele menino
que, quando pega o windsurfe e um bom vento,
abandona a vida na terra
e vai se reencontrar na imensidão do mar,
para descasar.
Descansar de ser feliz.

Pode isso, descansar de ser feliz?

Jorge Quadros
(São Paulo, 15.02.1987)

DA MINHA TESTA

da minha testa escorre sangue
escorre sangue da minha testa
e não percebo
na rua ando escorrendo sangue
pingando, pingando
formando poças
e rios de sangue
e ninguém percebe
que escorre sangue da minha testa
assim sorrio e rio e dou risada
e mil gargalhadas
e abrindo os lábios e contraindo a face
e fingindo uma imensa alegria
ando satisfeito e sorridente com o mundo.

Jorge Quadros
(2º semestre de 1988)

SONETO DO CADAFALSO

Isolado no meu canto, e o pranto existe,
Amargurado na derrota, Meu Deus, quero morrer!
Aí, que mágoas, que angústia que eu sinto
Quando a lembrança vem, e eu não minto.

Crucificado, desamparado por Deus,
Abandonado, ensanguentado, e cheio de terror,
É nas trevas que eu deixo a vida,
Será a dor não mais sentida.

Meu Deus, quero morrer.
Quero tudo, menos continuar a ser,
Pois tenho razões para da vida me abster.

Os tambores rufam e eu me calo à morte,
É, finalmente, a tão esperada sorte.
Carrasco! que logo minha cabeça corte.

Jorge Quadros
(São Paulo, 15.09.1985)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DISCURSO INÓCUO

No tempo vindouro, os pássaros verei voar ao céu,
Na terra, o orfeão cantará ileso e solto,
Bem-te-vis, rouxinóis, sabiás,
Verei o pavão abrir sua bela cauda,
Os olhos frouxos; será o porvir mundano
Das faces salpicadas de suor, e
Eu, cá no meu canto, eu canto,
Escondendo o meu pranto e me embriagando.

Intimo-me a olhar para o espaço
E ver a Verdade (é causa)
Da minha vida (é uma coisa, assim penso).

Que me separas da minha angústia marcada,
Tu, vivacidade, verás o teu inevitável fim!
A mortandade nas fornalhas do inferno.

Com minha áurea pena com tinta-sangue
É que registro o passar da vida andante,
E me imortalizo na minha desgraça,
Apesar da promessa de um futuro tão distante.

Jorge Quadros
(20.10.1985)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

MORTE DE BIN LADEN

Por Jorge Quadros.

Derrubado o muro de Berlim e dissolvida a União Soviética, o limiar do século XXI prometia paz entre os povos numa cultura de globalização, internet, telefones celulares, imagens de alta definição e outras tantas maravilhas tecnológicas.

Até que o sonho virou pesadelo em 11 de setembro de 2001, quando aviões civis, sequestrados e pilotados por terroristas islâmicos, derrubaram as torres gêmeas em Nova York, atingiram o Pentágono em Washinghton, e, ao que tudo indica, tentaram destruir o Congresso dos Estados Unidos.

Naquele mesmo dia, ouviu-se o nome do responsável  — Osama bin Laden, chefe da rede de terrorismo Al-Qaeda (A Base), procurado havia muito tempo pelo governo americano.
Bin Laden matou cerca de 3.000 pessoas no World Trade Center, onde estavam dezenas de estrangeiros, entre os quais três brasileiros.

Foi o maior e mais chocante atentado terrorista da história.

UM DIA TRISTE PARA A HUMANIDADE

Depois disso, Bin Laden ainda foi responsável por outros atentados em Madrid, Londres, Bali e em várias cidades do mundo islâmico.

O terrorista fora filho de milionário saudita, mas em vez de viver bem, escolheu o caminho da guerra e do terrorismo, iniciando suas atividades no Afeganistão contra os russos.

Ontem, quase dez anos depois do 11 de Setembro, enfim foi morto por uma unidade especial da marinha norte-americana, numa cidade de 90.000 habitantes perto da capital do Paquistão.

Segundo relatos de autoridades militares, depois de usar a própria mulher como escudo, levou um tiro no peito e outro na cabeça.

Agora, o homem mais procurado do mundo está morto.

Há quem questione sua morte, dizendo que não há fotos, nem depoimentos dos soldados que participaram da ação.

Mas o presidente dos EUA, Barak Obama, jamais teria ido para a televisão noticiar a morte do terrorista se não tivesse certeza absoluta do acontecido.

Se não autoriza a exibição de fotografias é porque está estudando o impacto que elas poderiam acarretar no mundo islâmico, onde o terrorista é tido, por muitos, como herói muçulmano que grande mal afligiu ao Ocidente. Decerto, milhares de pessoas poderiam querer vingar a morte do líder "espiritual", cometendo atentados contra ocidentais em qualquer canto do mundo.

Também a questão do corpo dispensa maiores explicações, porque seria extremamente complicado enterrá-lo em local fixo, que, depois, seria procurado tanto por pessoas com a intenção de vilipendiar o cadáver, quanto por pessoas com o fim de prestar-lhe reverências.

Agiu bem o governo americano ao jogá-lo para o oceano.

A morte de Bin Laden foi planejada e legítima, pois tratava-se de terrorista-combatente, em guerra contra o Ocidente e, principalmente, contra os Estados Unidos da América.

Matar em guerra, vale lembrar, não constitui para o soldado homicídio, mas estrito cumprimento de um dever legal, nos termos do direito penal. Portanto, não há como dizer que o terrorista foi assassinado.

A opção foi correta, pois levar fundamentalista a julgamento em território americano teria sido extremamente arriscado, não só pela segurança das autoridades que se envolveriam na empreitada, mas pelo próprio risco do processo. Afinal de contas, num processo penal, por mais evidências que possam existir contra um réu, sempre existe a possibilidade de absolvição, ainda que remota. Sem contar o alto custo financeiro.

Também, há de se considerar que a execução pós-julgamento, em solo americano, poderia ter transformado o terrorista em mártir para aqueles que o tinham como um herói.

Tudo isso foi muito bem pensado pelo governo americano, que levou o povo à desforra, sem precisar se despir dos valores humanísticos que orientam nossa civilização.

Bin Laden teve o fim que merecia.

PREGADOR DO MAL

sábado, 30 de abril de 2011

CASAMENTO REAL

Por Jorge Quadros.

O casamento do príncipe William com Kate Middleton, em 29.04.2011, foi um dos eventos mais bonitos produzidos nos últimos anos, valorizado pela chegada, no nosso País, das televisões de alta definição, com telas widescreen (lembro que o casamento do príncipe Charles foi visto por mim em Ubatuba, no final das férias de julho de 1981, numa televisão, com imagens em preto e branco, e cheias de "fantasmas").

Nada como um contraponto de cores, música clássica, vestido de noiva, carruagens, Big Ben ao fundo, tudo para deixar de lado (pelo menos por enquanto) os tornados no Alabama, o serial killer de Realengo, as usinas nucleares japonesas, as chuvas em Teresópolis etc — o que alguns consideram ser a única realidade da vida.

O casamento do príncipe Willian com Kate Middleton é simbólico, porque a instituição do casamento ainda é simbólica para várias civilizações, na medida em que o tem como rito necessário para a continuação da vida e preservação da espécie.

O casamento de um provável monarca britânico é simbólico, porque a figura do rei, nas monarquias, simboliza a unidade entre governo e povo, a paz perpétua, o prevalecimento da justiça sobre a opressão, e o ideal de prosperidade para todos.

Assim, se a família real, eventualmente, vem a passar por problemas sérios de relacionamento entre seus membros e se essas querelas são expostas e levadas a conhecimento do público, naturalmente a simbologia em torno da monarquia e os valores que carrega consigo, como fidelidade, honra, lealdade e fé, indiretamente serão afetados.

O casamento de William com Kate Middleton, porém, parece significar o restabelecimento da crença do povo britânico em valores positivos (construtivos) e, além disso, a reconciliação entre os que, no passado, se dividiram entre a mãe do príncipe e a família real, durante uma longa e desgastante dissolução conjugal, cujas mazelas foram, direta e desnecessariamente, expostas ao público.

Meus votos de felicidade aos recém-casados e meus parabéns ao príncipe William, por desposar jovem repleta de beleza, simpatia e inteligência.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

EU TE AMO SÃO PAULO!

Por Jorge Quadros.

Hoje me perguntaram o que eu achava de Curitiba. Disse, com toda sinceridade, que eu a achava uma cidade maravilhosa para se morar. Então, me perguntaram por que eu não me mudaria para lá. Respondi que eu não me mudaria para lá, porque São Paulo era minha terra, o lugar em que eu havia nascido, onde vivo e onde moravam meus familiares e amigos. Disse que, mesmo sabendo que São Paulo estaria longe de ser o melhor lugar do mundo para se morar, pelo menos eu estava fazendo a minha parte na construção de uma cidade melhor para o futuro. E acrescentei que eu não estava sozinho nesta empreitada, pois milhares, senão milhões de pessoas, faziam o mesmo, simplesmente exercendo suas atividades com justiça, honestidade e respeito ao próximo. Contei ao meu interlocutor que, desse modo laborando, não fazíamos outra coisa senão o que José de Anchieta fez ao construir o Colégio de São Paulo, com amor, dedicação e idealismo, para catequizar e melhorar a qualidade de vida dos índios locais. Afirmei que se São Paulo, hoje, está longe de ser uma cidade boa de se viver, então continuaríamos todos nós — paulistanos e os que adotaram a cidade para nela viver — continuaríamos todos nós desempenhando nosso ofício da maneira mais digna possível, porque, assim agindo, estaríamos construindo o amanhã em que envelheceríamos e o amanhã em que nossos filhos viveriam. Deixei claro que tudo dependeria somente de nós mesmos. E ao meu interlocutor, enfim, respondi que não me mudaria desta terra tão controvertida, porque, no fundo,
Eu te amo São Paulo!