Conta-me piadas das quais nunca rio,
e insiste teimosamente,
não levando em conta meu desinteresse.
Tenta satisfazer-me assim mesmo,
ignorando-me após as anedotas,
dando as costas e indo-se embora.
No dia seguinte, a mesma coisa.
No outro, também.
Enfim, é sempre assim.
Mas um dia perco a paciência
e digo-lhe que sua brincadeira é sem graça.
Ele para de rir pra si mesmo,
olha-me com raiva
e me chama de desgraçado.
E sem graça, desvio o olhar,
enquanto ele se retira.
Nunca mais nos vimos.
Jorge Quadros
(São Paulo, 15.10.1990)
Nenhum comentário:
Postar um comentário