FILMES DA II GUERRA

sexta-feira, 6 de maio de 2011

SONETO DO CADAFALSO

Isolado no meu canto, e o pranto existe,
Amargurado na derrota, Meu Deus, quero morrer!
Aí, que mágoas, que angústia que eu sinto
Quando a lembrança vem, e eu não minto.

Crucificado, desamparado por Deus,
Abandonado, ensanguentado, e cheio de terror,
É nas trevas que eu deixo a vida,
Será a dor não mais sentida.

Meu Deus, quero morrer.
Quero tudo, menos continuar a ser,
Pois tenho razões para da vida me abster.

Os tambores rufam e eu me calo à morte,
É, finalmente, a tão esperada sorte.
Carrasco! que logo minha cabeça corte.

Jorge Quadros
(São Paulo, 15.09.1985)

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