Como entender este moloque?
Dezoito anos, cabelo curto, encaracolado,
pele queimada, brozeada.
Como endenter quem nunca assumiu responsabilidade na vida,
não sabe o que é problema, nem tristeza tristeza?
Pessoa que não se abre, já aberta aos amigos.
Que desconhece inimigos, só amizade,
e contribuiu para a felicidade de todos?
Como poderia falar deste amigo,
que se preocupa o dia todo
com diversão, bagunça e algazarra?
Cidadão que vive em meio a muitos,
que a muitos diverte e por muitos é amado,
lembrado sempre de maneira alegre.
Pois é. Quando escutam-lhe o nome,
riem. Lembram-se-lhe dos feitos
e soltam gargalhadas.
Poder-se -ía dizer que esta pessoa
é uma eterna criança, imatura,
despreocupada com a vida,
sem responsabilidade?
Alguém, feliz
e amigo de quem quiser,
que tem tudo o que deseja
— por que se preocupar com o que não tem,
em vista do que sempre teve?
Talvez assim poderíamos entender aquele menino
que, quando pega o windsurfe e um bom vento,
abandona a vida na terra
e vai se reencontrar na imensidão do mar,
para descasar.
Descansar de ser feliz.
Pode isso, descansar de ser feliz?
Jorge Quadros
(São Paulo, 15.02.1987)
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