uma cama dessarrumada:
lençóis e cobertores amassados
travesseiro jogado no chão.
e uma janela que se abre para o espaço
depois de um bocejo mudo e profundo
de alguém que pouco dormiu
imediatamente o mundo o acorda
e ele percebe que dormiu demais
e que agora terá de correr para o trabalho
correr
correr para o trabalho
e depois deste
também correr
correr para casa
e enquanto isso o planeta gira
em torno de si mesmo e
gira ao redor do sol
o universo expande
e um cometa se movimenta em círculos
e tudo corre por toda parte:
corre o ponteiro do relógio
corre o desgaste da derme
corre nalgum lugar um córrego
corre o ego
corre um corredor
corre a dor
corre até o sangue na veia
e a seiva no caule
tudo anda muito rápido
e quem não quer andar assim
acaba sendo empurrado
senão atropelado e pisoteado
e se descobre, então, que não mais
se pode olhar para os lados
— que absurdo!
Jorge Quadros
(07.10.1987)
Salve, salve, meu amigo!!! 1987?!?! Porque parou??? E 1997??? Precisamos de mais poesia. A vida precisa de mais poesia. O mundo exige poesia!!!
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